quarta-feira, 27 de março de 2019

Sobre Escolhas

Se é negada, não é solidão. Esta frase é uma afirmativa minha, após ler artigos na área de Psicologia relacionada ao termo ‘errância’.
Tudo começou quando uma prima psicóloga sugeriu que eu conversasse com meus irmãos - também psicólogos (é psicólogo demais! Hahahaha) sobre isto. Porém, por morarmos em cidades diferentes e quando nos encontramos tipo a cada quinzena, os assuntos e contextos são outros. Boa leitora que sou, resolvi estudar o assunto e, possivelmente, interpretá-lo de meu modo, cheio entrelinhas leigas.
Este assunto veio à tona quando, em uma viagem, contei à prima de um possível investidor a ocupar a vaga do meu coração. Aos olhos nus, ele era um cara fantástico! Eu estava disposta a permití-lo entrar em minha vida, após avaliar a real do contexto e constatar que a pessoa fantástica da história sou eu, pois consegui fazer a leitura de algo que seria uma tentativa que não nos levaria a lugar algum.
Ele - um tanto mais velho que eu - falava em experiências, vida a dois, e construção de família. Até aí tudo bem. Mas, dia em que eu detectei que nossas afinidades não eram compatíveis, lembrei de uma foto que fiz há cerca de 10 anos.
A imagem mostra um andarilho, que provavelmente percorreria um longo trajeto a pé, com um saco envolvendo seus pertences, sem destino certo pra chegar. A verdade é que todos nós temos bagagens, inclusive de exemplos passados que não devemos repetir. Caminhar faz bem para a saúde física e mental, e é super louvável para quem pode conduzir os próprios membros. Porém, não traçar um caminho e não focar nos objetivos, passa longe de ser assertivo.
Morar sozinha e não ter um companheiro, não significa estar fechada para as relações afetivas, mas também não quer dizer que este estágio esteja relacionado à solidão. Não. Nem de gozo, tampouco de desejo. E sim de escolhas.





Thaís Livramento
27 de março de 2019

segunda-feira, 11 de março de 2019

Na Sua Estante

Por duas vezes ele a perguntou se ela escreveria sobre aquela experiência, e ela duvidosa disse que que não. Porém, a dúvida causa subjetividade. Ela resolveu eternizar nas entrelinhas as escritas das memórias que precisariam de HD’S de muitos tera.
As memórias virtuais podem ser apagadas com a ação do tempo. Diferente das reais. Os olhares, reações, expressões de vontades e reciprocidades, o pedido para o assento ao lado, as mãos entrelaçadas, a ousadia das carícias na perna, o encontro de bocas. O beijo deu match e as línguas falaram com o corpo.
- Onde é que você estava este tempo todo?
- Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu!







Thaís Livramento
11 de março de 2019