Lembro com perfeição e
detalhes, o dia em que fui até o consultório médico apresentar um exame de
sangue, o qual após lido constatou que posso ter dificuldades para engravidar.
Como foi difícil receber e processar esta informação... Mas o tempo passou e eu
entendi que possibilidades de ser mãe com filhos gerados da minha barriga
existem – por menores que sejam, além de existirem outras formas de me tornar
mãe, uma vez que muitas crianças nascem de outra barriga para serem amadas e geradas nos corações de outras pessoas.
Uma coisa que marcou muito
este contexto, foi que meu exame apontou que tenho FAN Positivo - que é um grupo de auto-anticorpos em pacientes com lúpus
eritematoso sistêmico. Todas as pessoas que têm Lúpus - doença autoimune que
pode afetar principalmente pele, articulações, rins, cérebro, e também todos os
demais órgãos, têm FAN Positivo. Mas uma minúscula parcela (tipo 1 em 1 milhão)
das pessoas que tem FAN Positivo, não têm Lúpus. E foi bem isto que a reumatologista
me explicou: nesta situação, eu sou 1 em 1 milhão!
Pois bem,
por qual motivo estou contando esta história que nunca tornei pública?
Vamos lá:
Há 17 anos tive um amor de adolescência que marcou muito. Namoramos. De um
jeito bem inocente, namoramos. Por uma série de razões, nos distanciamos. Mesmo que
o tempo tenha passado, sempre que nos víamos ficávamos incomodados. Inclusive,
evitávamos nos encontrar. Ele sempre foi lembrado nas conversas que surgiam com
amigos de infância em comum, bem como eu nas dele. E o tempo passou. Uma vez ou
outra nos víamos de relance, talvez passando na rua. Nem sempre nos
cumprimentávamos. Algo do passado incomodava. Pelo menos a mim. E a ele também.
O tempo
passou. E passou. E passou mais. Muitas coisas aconteceram em minha vida e na
dele também. Dentre estas coisas, tive alguns namorados e cheguei a casar. E
ele também. Bem muito antes de mim ele se separou e eu tinha planos em meu
casamento, dentre eles, ser mãe. E não fui. Por uma série de razões desgastantes, meu
casamento acabou, e no início do segundo semestre do ano passado, resolvi não
viver mais de aparências matrimoniais e dar o pontapé inicial para a separação.
Separei-me. Ao saber da separação, o amor da adolescência se aproximou de mim
de uma forma diferente: eu em uma cidade e ele em outra que fica há cerca 300
quilômetros de onde moro. Mesmo distante fisicamente ele se tornou uma pessoa muito
próxima em um momento muito difícil pra mim.
Passou um
tempo, nos encontramos pessoalmente pela primeira vez. A sensação de borboletas na barriga de
quando éramos adolescentes foi a mesma naquele momento. Conversamos. Como
no passado, até o primeiro beijo da segunda temporada foi desconsertado. E nos
despedimos. O contato por celular e rede social passou a ser diário e
frequente, e, desde então, sempre que podíamos nos víamos. Começamos a namorar.
E, sempre que podemos nos encontramos pessoalmente.
Há poucos
meses estamos namorando e, mesmo que tenhamos passado por diversas situações
que inicialmente tinham a intenção de nos afastar e interromper nosso
relacionamento, estamos muito felizes. Muito mesmo! Ao contrário das intenções maldosas, no uníamos mais. E permanecemos nos unindo mais.
E o que
tem a ver esta história com a que iniciei este texto? Que pela segunda vez, fui
1 em 1 milhão! Quantas pessoas gostariam de poder reativar uma história do
passado, pra saber o que resultaria no final, após adquirida uma maturidade?
Olha, se
este relacionamento é pra sempre, eu não sei. Até porque, o pra sempre eu já
busquei e não foi. O que tenho certeza é que só saberei se posso gerar filhos ao
conseguir engravidar. O que tenho para o momento é poder gerar, ao lado de uma
pessoa que faz muito por mim e me faz muito bem - e vice-versa, são bons sentimentos
que há muito tempo eu desconhecia! E ele também.
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♪ Beija eu,
Beija eu, Beija eu, me beija. Deixa O que seja ser ♫
(Marisa Monte)
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