quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Do meu melhor contador de histórias

Se tem uma coisa que me amarro em fazer, é contar histórias. Das boas raízes hereditárias, tenho orgulho em dizer que adquiri esta característica do vovô Tião.
Lembro que quando escolhi estudar Jornalismo, contei pro vovô. Ele sorriu e disse que queria me ver na Globo e denunciando a bandidagem pra ver se acabava com os 'drogueiros'. Êita, vovô... Quando me formei ele não pôde ir porque era muito longe, mas em nosso primeiro encontro após minha formatura, ele me recebeu usando uma blusa com minha foto. Me abraçou, parabenizou e me desejou sucesso e sorte.
Hoje, em quase 11 anos de atuação no mercado, confesso que TV ainda é uma das minhas paixões, mas o que me fascina mesmo é escrever, casar as palavras. Pra mim, escrever só não ganha de quando posso sentar com pessoas bacanas e contar histórias, fatos reais. Sejam jornalísticos ou não. E neste 'ou não', o mais gostoso é reproduzir as histórias vividas e contadas com/por vovô Tião.
Quando narro estas coisas legais, percebo que as pessoas param para ouvir e muitos que conheceram meu avô, participam com mais vivência e agregam valor ao meu baú de histórias. E as que não conheceram, mergulham no mundo que eu faço questão que não seja só meu e se aproximam de uma pessoa que já foi embora e neste plano não conhecerão.
Ah, vovô... Por quê você foi embora... Tínhamos tantas coisas para viver juntos... Você podia tanto tá aqui para ouvir as histórias da minha vida... Elas são bem legais também, sabia? Muitas engraçadas, outras com sentidos de superação e lições de vida, e tem até umas que que há quem duvide! Hahahahahahahaha...  Fico imaginando você aqui...
Hoje, dia após Finados, é o 9º aniversário da sua morte e eu ainda não superei e nem me acostumei com sua ausência. Ter ouvido de sua boca que sou (nunca usarei 'era' para esta situação) sua neta preferida, não me torna melhor que meus irmãos e primos, mas, certamente é algo que lembro com muito amor e orgulho. Assim como todas as nossas histórias vividas, contadas e reais!


Thaís Livramento
03 de novembro de 2016.  

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O Amor das Cartas de Amor

Embora seja um fato recente, já não é mais tópico inicial da mídia os comentários sobre o fim do casamento dos jornalistas Fátima Bernardes e William Bonner. Quando soube da notícia pela internet, confesso que fiquei pensativa sobre o assunto, mas em nenhum momento triste e boquiaberta como tantos, que, inclusive, chegaram a mencionar que desacreditam no amor.
Fiquei analisando e triste ao observar como existe tanta gente que descredita no amor e quer dosar a própria felicidade nos fatos e acontecimentos da vida alheia. O fato que ‘explodiu’ na mídia há poucos dias (não parei para contar e nem pesquisar quantos), já deixou de ser comentado pelas pessoas que mais se manifestaram e até comportaram luto ao fato.
O amor é um sentimento tão bom e bonito para ser banalizado... As expectativas de buscar no outro, sejam famosos ou anônimos, o amor por meio de tendência, tira a evidência que amar é ‘cafona’ e que poucas pessoas tem coragem de assumir tamanha cafonice e usar o ‘mesmo look’ por tanto tempo. Neste contexto lembro ainda da poesia “Todas as cartas de amor...” de Fernando Pessoa (http://www.releituras.com/fpessoa_cartas.asp).
Ridículo mesmo é deixar de viver e querer tomar conta da vida alheia, interferir de formas negativas em relacionamentos, querer basear sua história na do outro esquecendo-se e que sua vida é única e tem identidade própria, e mais que isto: acreditar que só é possível ser feliz se tiver um companheiro (a) ao seu lado. O amor mais gostoso e verdadeiro é aquele que, depois do de Deus, existe dentro da gente.



segunda-feira, 4 de abril de 2016

A Borboleta Preta

Hoje à tarde eu vi uma borboleta preta entrando em minha casa. Junto ao significado da liberdade e de que a cor preta é a concentração de todas as cores juntas, observei a frequência das asas dela e não a impedi de seguir seu caminho. Algumas horas depois fui tomar banho e lá estava ela. Com cuidado toquei-a de dentro do box e ela pousou na planta artificial do arranjo do banheiro. Terminei o banho e comentei com minha mãe:
- Mamãe, desde cedo esta borboleta está aqui em casa!
- Ah, é? Então faça um pedido a ela! – disse minha mãe.
Mamãe saiu, sorrindo se despediu a caminho da casa da minha avó. A borboleta está em meu quarto e a presença dela, neste momento, é minha única cia. A observei mais e vi que ela não é preta de perto, só de longe. Nem sempre as coisas são o que parecem. Não pedi nada a ela, apenas a agradeci o quanto ela me despertou para em mais um contexto, poder avaliar minha metamorfose ambulante. 




domingo, 13 de março de 2016

Passados Presentes

Lembro com perfeição e detalhes, o dia em que fui até o consultório médico apresentar um exame de sangue, o qual após lido constatou que posso ter dificuldades para engravidar. Como foi difícil receber e processar esta informação... Mas o tempo passou e eu entendi que possibilidades de ser mãe com filhos gerados da minha barriga existem – por menores que sejam, além de existirem outras formas de me tornar mãe, uma vez que muitas crianças nascem de outra barriga para serem amadas e geradas nos corações de outras pessoas.
Uma coisa que marcou muito este contexto, foi que meu exame apontou que tenho FAN Positivo - que é um grupo de auto-anticorpos em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico. Todas as pessoas que têm Lúpus - doença autoimune que pode afetar principalmente pele, articulações, rins, cérebro, e também todos os demais órgãos, têm FAN Positivo. Mas uma minúscula parcela (tipo 1 em 1 milhão) das pessoas que tem FAN Positivo, não têm Lúpus. E foi bem isto que a reumatologista me explicou: nesta situação, eu sou 1 em 1 milhão!
Pois bem, por qual motivo estou contando esta história que nunca tornei pública?
Vamos lá: Há 17 anos tive um amor de adolescência que marcou muito. Namoramos. De um jeito bem inocente, namoramos. Por uma série de razões, nos distanciamos. Mesmo que o tempo tenha passado, sempre que nos víamos ficávamos incomodados. Inclusive, evitávamos nos encontrar. Ele sempre foi lembrado nas conversas que surgiam com amigos de infância em comum, bem como eu nas dele. E o tempo passou. Uma vez ou outra nos víamos de relance, talvez passando na rua. Nem sempre nos cumprimentávamos. Algo do passado incomodava. Pelo menos a mim. E a ele também.
O tempo passou. E passou. E passou mais. Muitas coisas aconteceram em minha vida e na dele também. Dentre estas coisas, tive alguns namorados e cheguei a casar. E ele também. Bem muito antes de mim ele se separou e eu tinha planos em meu casamento, dentre eles, ser mãe. E não fui. Por uma série de razões desgastantes, meu casamento acabou, e no início do segundo semestre do ano passado, resolvi não viver mais de aparências matrimoniais e dar o pontapé inicial para a separação. Separei-me. Ao saber da separação, o amor da adolescência se aproximou de mim de uma forma diferente: eu em uma cidade e ele em outra que fica há cerca 300 quilômetros de onde moro. Mesmo distante fisicamente ele se tornou uma pessoa muito próxima em um momento muito difícil pra mim.
Passou um tempo, nos encontramos pessoalmente pela primeira vez. A sensação de borboletas na barriga de quando éramos adolescentes foi a mesma naquele momento. Conversamos. Como no passado, até o primeiro beijo da segunda temporada foi desconsertado. E nos despedimos. O contato por celular e rede social passou a ser diário e frequente, e, desde então, sempre que podíamos nos víamos. Começamos a namorar. E, sempre que podemos nos encontramos pessoalmente.
Há poucos meses estamos namorando e, mesmo que tenhamos passado por diversas situações que inicialmente tinham a intenção de nos afastar e interromper nosso relacionamento, estamos muito felizes. Muito mesmo! Ao contrário das intenções maldosas, no uníamos mais. E permanecemos nos unindo mais.
E o que tem a ver esta história com a que iniciei este texto? Que pela segunda vez, fui 1 em 1 milhão! Quantas pessoas gostariam de poder reativar uma história do passado, pra saber o que resultaria no final, após adquirida uma maturidade? 
Olha, se este relacionamento é pra sempre, eu não sei. Até porque, o pra sempre eu já busquei e não foi. O que tenho certeza é que só saberei se posso gerar filhos ao conseguir engravidar. O que tenho para o momento é poder gerar, ao lado de uma pessoa que faz muito por mim e me faz muito bem - e vice-versa, são bons sentimentos que há muito tempo eu desconhecia! E ele também. 

♪ Beija eu,
Beija eu,
Beija eu, me beija.
Deixa
O que seja ser ♫
(Marisa Monte)



sábado, 1 de agosto de 2015

Sobre Fé

Outro dia me peguei avaliando casos, coisas e pessoas no que se refere ao contexto da Fé. Já faz algum tempo que tenho me contrariado às questões da educação religiosa que recebi por enxergar que quando se trata de um bem comum, diz respeito que a Comunidade atue, não apenas uma só pessoa.
Preguiça de ir pra Igreja aos domingos não cabe mais nos dedos das mãos se for parar pra contar. Mas o bacana é que um amigo e vizinho muito religioso me ligou perguntando se eu o ajudava a incentivar meu irmão a participar de um retiro espiritual. Eu disse que sim, mas acabou que tantas outras atividades que até então se tornaram mais interessantes, que nada fiz pelo pedido. Três dias se passaram e ele me ligou. Eu não menti, disse que nada fiz pelo pedido e ele me disse que já estava tudo certo, que o que precisaria era de uma ajuda para uma dinâmica. Me dediquei e constatei mais uma vez o quanto meu irmão é amado e quando se trata das coisas de Deus as pessoas não medem esforços.
Quando fui escrever uma homenagem para meu irmão, me peguei escrevendo com o coração e uma parte do texto dizia o seguinte:
“Hoje é um dia muito importante porque acordei e sei que você, nossa irmã, mamãe e papai estão vivos, bem e com saúde. E ele se tornou ainda mais importante porque você optou por mais este ‘sim’ para Deus. Esta sua demonstração de fé começa a reativar a minha que está numa constante tão parada.”
Ao ver tantas pessoas unidas e felizes em prol da bondade, meu coração foi tocado pelo poder do Espírito Santo. Reativar a minha Fé consiste também em enxergar nas coisas o que há de positivo mesmo que o desfecho da história não seja o mais interessante aos meus olhos. E é isto: Deus está em todas as coisas, o que preciso fazer é passar a enxergar as coisas que antes eu apenas olhava. 


sábado, 25 de abril de 2015

O show virou choro

Enquanto sensibilidade é conceituada como tendência natural que reage aos estímulos, muitos a denominam por frescura. Analisar e conceituar palavras e situações, ficam mais evidentes quando, além de um contexto, existe a participação de pessoas opacas envolvidas. Talvez, o maior erro seja agir esperando que o outro aja como se age. Esperar boas reações é o mínimo de quem quer o bem e busca fazer o bem, mesmo que este esteja relacionado apenas a práticas, não à legalidade elaborada pela sociedade.
A data social nem é notada, principalmente quando santos batem. Há muito o que ser aprendido em boas relações de amizade. Outro fator influenciável é o profissional. Enquanto pessoas carecem de atenção, contato físico e realizar a troca de energias, outras preferem se fechar em um ciclo e focar na linguagem tecnicista. Não, não existe complexo de inferioridade da parte que não se adequa apenas ao que é técnico, já que a escolha profissional foi muito bem feita e demonstra satisfação.
O que não é satisfatório é notar que a inclusão pode ser feita apenas quando se existe um interesse, mesmo que este seja de um local somado às práticas culinárias. A exclusão causa o choro e desconforto – para que é excluído, é claro. Quando este é dotado de manha então... Ou frescura? Não, é sensibilidade.
A verdade é que só pessoas que realmente representam algo para alguém terão a condição de ofertar bons sentimentos, bem como entristecer.
Se é pra chorar, chore. O choro que dura uma noite pode permanecer pela manhã.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Vale Reflexão

Novamente, após um tempão volto aqui para uma publicação. Por coincidência, mais um editorial do Jornal O CAPIXABA.
O Município que resido, minha Terra Natal, completa 51 anos de emancipação político administrativa este mês, e o Jornal O CAPIXABA, 4 anos de vida!
Parabéns pra nós!!! \o/




EDITORIAL

Em todo aniversário e ao lado das pessoas que mais gostamos, abrimos presentes e oportunidades para reflexão. Nestes quatro anos, compreendemos que, de fato, tempo é relativo. Estes 48 meses parecem poucos diante de tantas histórias que contamos em tantos quilômetros que percorremos em escritas. 

Nesta edição comemoramos nosso quarto aniversário. Como presente, nos brindamos com os 51 anos de emancipação político administrativa de Pinheiros, que, inclusive, já iniciou as festividades.
Certamente estar entre as cidades mais violentas do País não é orgulho para nenhum pinheirense, mas, ao contrário disso, temos muito que nos orgulhar, já que nossa história é rica de cultura.
Ser portal da região Doce Terra Morena somando características muito particulares, tanto na economia, quanto na cultura e nos aspectos sociais, é motivo de alegria, já que em uma minúscula região geográfica, o povo capixaba pode se esbanjar de tanta brasilidade. 
Com cerca de 25 mil habitantes, após algum tempo sem comemorar o aniversário da Cidade em grande estilo, Pinheiros, que é palco de uma cultura mista, deu início oficialmente às solenidades comemorativas dos seus 51 anos de vida. Se tem festa, há críticas. Se não tem, há também. Cabe a cada um de nós avaliarmos a programação de forma participativa para, então, falarmos o que é ou não conveniente. É perceptível que muita gente que só fala mal e só faz criticar, está adepto a perder tempo e não apresentar soluções. Perder tempo nunca foi uma atitude das mais louváveis, e falar por ouvir dizer é agir como um papagaio alienado.
As crises são importantes para transformações e crescimento, e embora possa parecer que não existam motivos para comemorações, nosso desejo é de que as nossas dificuldades possam nos impulsionar a crescer. É nisso que o Jornal O CAPIXABA e todos nós devemos e precisamos apostar!