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Marquim, Fofão, Luciane, Gui, eu, Murillo e Jhessica |
Localizada a 22 km de
centro de Boa Esperança, a Pedra da Botelha é considerada o cartão postal do Município.
O local atrai aventureiros de toda parte para a realização de escaladas, rapel,
vôo de parapente, e caminhadas ecológicas. Hoje em Pinheiros é feriado municipal:
Dia do Evangélico. Para aproveitar a folga, um grupo de 7 amigos resolveram
escalar a Pedra da Botelha, e neste grupo quem estava? Eu mesma! :-)
Confesso que topei
esta aventura mais pelo Gui, que se amarra em esportes radicais e mais uma
série de ‘programas de índio’. De tanto eu ouvir dele que sou muito ‘urbaninha’,
aos poucos estou mudando por dois motivos: para agradá-lo e para me permitir
vivenciar novas situações.
Gui e eu acordamos
cedinho para prepararmos lanche, garrafa de água e mega dispostos para
completarmos o percurso de 5220 metros de altitude. Como combinado, nos
encontramos com o grupo e pegamos estrada. Para chegarmos ‘no pé’ da Pedra da
Botelha, gastamos cerca de 1 hora de carro, entre asfalto e estrada de chão. Animados
e todos super empolgados para iniciar a aventura, Fofão, que realizou o
percurso hoje pela 14ª vez, nos tranquilizou e disse que não era pra ter pra
ter pressa, que o bacana da subida era vencer o percurso e estar em contato com
a natureza. Ah! Esqueci de 1 detalhe: tirando Fofão, apenas 1 pessoa estava
fazendo o percurso pela segunda vez, o resto era todo de marinheiros de
primeira viagem.
Logo no início, já vi
que talvez, ‘aquilo’ não fosse para mim. Pensei em desistir antes que o meio do
caminho chegasse, mas o grupo não permitiu. Até porque, o trajeto é todo de
pedras, mata fechada, muito cipó, pedras lisas e cascalhos, animais selvagens, insetos...
Algo que se alguém não fosse voltar comigo, seria impossível. E como eu entendi
que era, segui. Entre trancos, barrancos, derrapadas, partes do corpo raladas,
muita sede, busca de muita disposição, calor, trabalho em equipe e vontade de
chegar logo, completamos o percurso da subida em 1 hora e 50 minutos.
Ao chegar ao topo da
Pedra da Botelha, Todos nós ficamos maravilhados. Fizemos um momento de oração
na delícia de estar em contato com a natureza, em um lugar que o homem não
modificou. Fiquei impressionada com o jardim das bromélias. Isto mesmo, naquela
altitude, nasce lindas bromélias nas pedras, entre outras plantas. Pude encontrar
situações que jamais vi de perto. Talvez acreditasse que existia, mas ali eu
estava vivenciando e vendo com meus próprios olhos.
Conhecemos o local,
passeamos, tiramos uma pancada de fotos. Mas o cenário natural ‘ofuscava’
qualquer gracinha ou pose que buscávamos. É impossível competir com a natureza!
Após um passeio de
cerca de 1 hora pelo topo, resolvemos descer. Eu já cheguei lá em cima com a
seguinte ideia: ‘a subida foi tensa, mas pra descer, todo santo ajuda. ’ Eu só
não sabia que estava completamente enganada!
Para descer foi muito
mais difícil. Já estávamos cansados da subida, o sol estava fritando a moleira
e o corpo todo, nossa água acabou antes da metade do percurso... Teve até quem
perdeu a sola dos tênis e até quem os perdeu por inteiro e teve que concluir a
descida descalço. Comigo o que aconteceu, foi ter a minha calça descosturada e
eu ficar com a calcinha super a mostra! Hahahahahahahaha... É verdade, como
desci grande parte do percurso ‘de bunda’, a linha da costura rompeu e deu no
que deu!
Em vários momentos da
descida, eu não pensei em desistir, pois sabia que precisava concluir a chegada
para ir embora. Se eu desistisse, ia ter que morar ali pra sempre, e como diz o
Gui, eu sou muito ‘urbaninha’ pra isto. Confesso que me desesperei em vários
momentos, até mais do que na subida. Minhas pernas tremiam, eu perdi o jogo dos
braços várias vezes, tive a sensação de desmaio e até chorei. Mas a equipe
estava ali comigo o tempo todo. Tipo, todos do grupo encontraram dificuldades
(mesmo os mais experientes) mas, quero dividir com vocês a minha experiência.
Após 2 horas e 40
minutos de descida, nem tínhamos força para comemorar, mas, com corpos
cansados, enxergamos no rosto de cada um, um imenso sorriso de satisfação. Entramos
nos carros e seguimos para nossas casas: cansados, com muito calor e famintos!
Desta experiência eu
tirei a seguinte conclusão, embora dissesse por várias vezes em meus momentos
de desespero que nunca mais voltaria lá: após escalar a Pedra da Botelha,
passarei a ver a vida com mais atenção, cautela e confiar mais em mim, pois sei
que nesta aventura tive uma superação. O próprio Gui disse que em tempos atrás
eu nem aceitaria a ideia.
Subir a Botelha não
foi fácil, e assim é a vida. Precisamos enxergar bem onde pisamos, nos apoiar
em quem realmente confiamos, saber que vamos escorregar e tropeçar, encontrar
dificuldades absurdas e não podemos deixá-las tomar conta da gente. As
dificuldades existem e devemos agir diante delas com muita sabedoria, por mais
que o desespero, choro e fraquezas surjam. Para chegar ao topo, é preciso de
garra, perseverança, pessoas confiáveis, entender que somos parte de um
conjunto social e saber que é preciso partilhar as coisas na vida, independente
do que seja.
Para iniciarmos um
projeto em nossas vidas, às vezes é necessário deixar a experiência que
obtivemos sucesso ao chegar no topo, percorrer o caminho de volta – que pode
ser mais demorado do que as conquistas – e começar tudo do zero. Voltar pra
casa é apenas um detalhe confortável, de que temos um lar com comida, água,
roupas limpas, família e um lugar aconchegante para descanso. Muitas vezes,
perdemos muito tempo reclamando do que não compensa e esquecemos-nos de ser
gratos pela estrutura que temos, que em vista de muitos menos favorecidos
economicamente, é aristocrático.
Sei que pode parecer ‘narcisismo’
dizer que reconheci minha superação, mas deixo claro que esta não é uma autopromoção.
É apenas uma experiência que levarei comigo para o resto da minha vida, e, como
não canso de dizer que o que é bom e faz bem merece ser compartilhado, aqui
estou!